Uma nova pesquisa do CSJT e do TST, divulgada nesta terça-feira (18), analisou uma amostra de 138 processos cadastrados como assédio eleitoral na Justiça Trabalhista de maio de 2023 a dezembro de 2025. O levantamento revelou que, em 92% dos casos, houve coação político-partidária, caracterizada pela exposição indevida dos funcionários à propaganda eleitoral, dentro das empresas. Os meios de comunicação interna foram identificados como a principal ferramenta para o assédio, que envolveu, em 82% das ocorrências, táticas de terror psicológico relacionadas aos possíveis resultados das eleições.
O relatório final destacou que o monitoramento das redes sociais dos empregados, a criação de grupos de WhatsApp para envio de conteúdo político e exigências de divulgação partidária nos perfis pessoais dos trabalhadores eram práticas comuns dos infratores. Houve ainda registros de convocações de reuniões partidárias, carreatas e panfletagens. Ameaças de cunho econômico foram constatadas em mais da metade das denúncias de assédio eleitoral.
De acordo com o TST, a maior parte das ações foi registrada no eixo Sul-Sudeste, com mais de 50% concentradas em Rio de Janeiro, São Paulo, Paraná, Santa Catarina e Rio Grande do Sul. Os resultados indicam que a coação político-partidária, antes verificada somente nos períodos de eleições legislativas, tem se tornado mais frequente por causa da polarização, que se infiltrou nas organizações, desafiando os limites entre gestão responsável e interferência na liberdade política dos trabalhadores brasileiros.
Acesse o sumário executivo da pesquisa do TST.
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